O seu abraço era um sonho tão perfumado, quanto são perfumadas as lembranças de uma infância feliz. Tomava assim, o seu abraço cheiroso, tendo ganas de fechar portas e janelas para que durasse mais.
Aumentava o aperto do braço sobre os ombros, colava o rosto um tanto mais, dava-lhe a cintura. Sentia as coxas de ambos trocarem segredos e promessas enquanto aqueles, alguns segundos de sonho abraçado, extendidos até o limite tolerável do socialmente aceito, aparentasse ser apenas um abraço. Mas não o era.
– Durma bem – ele diria.
– Você também – ela diria.
O sabor das quatro palavras ficaria escrito nas paredes.
Morreria em “ais”, enquanto caminhasse até sua casa, guardando mais o quanto ele a encantava, do que o quanto ele a maltratava com o silêncio.
Não seguiria reto. Não andava a lhe encantar a retidão. A dúvida, essa sim, andara a ser a sua nova companheira.
– Quando seremos? Como seremos? O que seremos? – pensaria.
E longe, seus olhos choveriam marés de saudade e desejo, mesmo sabendo que dentro dela, ele a doía um tanto assim. E doeria até uma próxima despedida, quando um novo abraço analgésico, enchesse seu coração de alegria.
Um comentário:
Nossa ke maneira mais linda de colocar uma esperança...ja passei por isso.Saudades David,bjins
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