Nota:

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Menino besta cheio de sonhos aprisonado no corpo de um homem sóbrio e cheio de desejos.

Escolha a dose.

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

De mudança.

Encontrei a mala na porta e meus sonhos dependurados na maçaneta.
No preguinho na porta uma plaquinha alertava “Feliz Natal”. Já era Fevereiro.
Além daquela porta tudo continuaria Dezembro.
Abri com receio a tranca como quem abre o quarto dos pais à noite. Olhei aquela sala vazia, ali só restava uma cicatriz.
No papel de parede, manchas de nossos retratos, antes dependurados, faziam-se de fantasmas impressos em silhuetas pálidas.
Havia no chão um catálogo telefônico, listas e listas de pessoas que nunca vimos e que nunca iríamos conhecer juntos. Um documento mudo de um passado que jamais acontecera.
Nenhuma carta. Velhas folhas de papel em branco, amareladas pelo inútil descansar em gavetas, ainda aguardavam, espalhadas em silêncio, pela tinta que nunca viria.
Um telefone inútil expunha fios em entranhas desligadas.
Não havia móveis.
Uma única meia branca pastava no carpete marcado pelos vai e vens , mas era só uma, não um par, como se par nunca houvéramos sido.
No canto do quarto,oco de emoções, as paredes se encontraram num reto sussurrar.
— Olha ele ai de volta. — cochicharam.
Não havia volta, havia ida apenas.
Ela havia mudado de mim.

5 comentários:

Vida... disse...

David... sentimento do retorno...exatamente isso.

Erica Vittorazzi disse...

David, que lindo!!!

Sempre perdemos algo nas mudanças, não é?

Anônimo disse...

boa noite

brunera disse...

Relaxa, muita gente já se mudou de mim também.

ViVi disse...

Chorei um pouquinho aqui. Mas está lindo como sempre tudo está em você amigo querido.