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Menino besta cheio de sonhos aprisonado no corpo de um homem sóbrio e cheio de desejos.

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segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Amar uma estrela.

Sentia-se afortunado por ter um pouco daquela luz.
Por tempos a seguiu distantemente, amarrado à um silencioso e frágil laço, na esperança que um dia aquela estrela pudesse cair, e ele, tomando-a em suas mãos, seria importante pra ela. E ela, estrela, seria só dele.
Acenou, fez fogueiras, acendeu mil lanternas pra chamar sua atenção. Incendiou um quarteirão, fez farol, clarão, mas, findas as noites, ela se recolhia distante e intocável. Sem ao menos dizer não.
Seu pulsar irrestrito o acalentava. Ela brilhava para todos indistintamente e por se sentir mais um suportava não possuí-la.
Numa noite por nada, descobriu que a estrelinha freava sempre sua órbita sobre uma cabana à beira de um lago e cintilava intensamente. Sentado à serra, ele passou a esperar todas as noites, eternizadas no ciúmes, a ver o astro parado sobre uma cabana que não era a sua.
Numa madrugada fria foi a cabana que não a quis mais ali pairando e fechou suas janelas. De longe, ele viu quando a estrela quase se apagou. Apaixonado, ele recolheu seus últimos raios refletidos nas águas e os guardou no peito. A dor do ser amado é mais forte que a dor de amar sem ser amado. Ele nunca saberá se foi o seu amor que lhe devolveu a luz, e, foi refeita em luz que ele a devolveu ao céu.
Hoje ela já brilha mais forte. E ele que a seguia, mesmo nos momentos mais opacos de sua trajetória celeste, pode agora inundar-se em sua luz na certeza de que, mesmo ao seu modo, essa estrela lhe segue também.
(e.)


3 comentários:

Erica Vittorazzi disse...

Amar à distância é melhor que não amar...


ainda é amor, né?

Vida... disse...

Mesmo assim é bom amar...

ViVi disse...

Quem não gostaria de ser uma estrela assim?