Às vezes a gente tenta deletar uma pessoa da nossa vida e vira e mexe você se pega recuperando o arquivo na lixeira. Esvaziar-se, por vezes, é absolutamente necessário. A decepção é um vírus.
Nota:
- David Sento-Sé
- Menino besta cheio de sonhos aprisonado no corpo de um homem sóbrio e cheio de desejos.
Escolha a dose.
quarta-feira, 19 de outubro de 2011
terça-feira, 18 de outubro de 2011
Parente próximos
Beijaram-se na cozinha como não faziam fazia tempo.
Desde Agosto não se viam e já era Novembro.
A mão bruta, cheia de unhas por aparar, rasgou-lhe as meias de nylon que cobriram as coxas vergadas, por sobre as próprias suas, emolduradas pela saia erguida. Ambos eram só gemidos, amassos e suspiros, misturados a cabelos desalinhados, batom borrado e saliva. O rosto dela, arranhado pela barba mal feita, cobria-se do mesmo rubro que ele escondia nas costas arranhadas. Na blusa de seda prata faltava-lhe um primeiro botão, enquanto no pescoço dele, pendia-se uma gravata de nó, agora tosco, espremido à gola de linho, como se saídos de um atropelamento.
Não emanavam mais perfumes, só suor.
A luz fluorescente, refletida nos azulejos imaculáveis, mal parecia-lhes a meia-luz de um abajur japonês e o cantar dos “ parabéns pra você”, vindo da sala, soava-lhes um tango.
A isso, teóricos chamam volúpia ao passo que os amantes o denominam “excitação”.
E eram beijos e abraços, arfar, torcer e esfregar, numa coreografia sincopada entre o volume involuntário, nascido nas calças dele e a umidade brotando entre as dobras dela.
"Muitos a-nos - de - vi-da."
"Muitos a-nos - de - vi-da."
Fez-se um “viva”. As velas sopradas trouxeram uma brisa de clareza aos entrelaçados num breve instante de consciência após os aplausos de parentes.
-Meu Deus meus filhos, meu marido, minha casa, meu casamento. Minha segurança. – ela pensou.
- Que coxas, que peitos, que língua, que tesão. – sentenciava o pensamento dele.
Repentinamente, um cão latiu no quintal trazendo-lhes a razão. Culpados, ajeitaram-se como puderam. Afastados, baixaram as vistas, um do outro, como se pena pelo crime fosse.
Sairiam dali calados e em culpa, de volta às realidades cotidianas dos familiares. Apaixonados em silêncio, dissimulados no dia-a-dia, infelizes na verdade.
Talvez no Natal, talvez outra vez, talvez.
sábado, 1 de outubro de 2011
Já que você não é quem parece ser...
-Mauro?
O poeta virou-se e se deparou com o rosto inconfundível do velho conhecido.
-Capitão? Nossa, que prazer rever o senhor.
Bom, capitão ele não era, aliás, por excesso de contingente havia jurado bandeira e nunca servira às Forças Armadas na vida. Mas o poeta, o Mauro, conhecido de infância insistia:
-Capitão, que surpresa.
-Pois é né? – Diabos falar o que? Nessas horas um “Pois é” parece ser a melhor opção e, na pior das hipóteses, serve de anestésico para o mal entendido que se avizinhava. Na cabeça ele pensava enquanto sorria amarelo: Que porra de capitão o Mauro ta pensando que eu sou?
-Você por aqui? Que coisa hein? Nunca imaginei capitão.
Capitão de novo.
-É né, eu tava só passando e ai então... Foi ai que ele tomou o caminho errado. Na bifurcação ele tinha duas placas: Uma dizendo “Fala logo que ele ta te confundindo com outra pessoa” e outra escrito “Não vai deixar o Mauro sem graça.Deixa ele pensar que é você o tal capitão que isso não é nada demais”. Foi essa última a sua opção achando que iria ser rapidinho, depois um xáu e pronto.
- Poxa capitão a Glória vai adorar te ver. Glória! -gritou- Glória, –gritou de novo- vem ver quem eu encontrei, vem.
- Olha Mauro eu tou até com um pouquinho de pressa.
-Não, não, não, espera um pouco, faço questão que o senhor escute direto da boca da Glória.
Ai lascou, a coisa tava complicando. E a Glória chegou e disse:
-Capitão! Deus do céu que coisa boa encontrar o senhor.
-Que é isso? O prazer é meu.
Pronto, enfiou o pé. Falar “eu”, “meu”,”nosso” é fatal, é assumir que você é quem você não é.
-Nossa capitão, não, falando sério, o que o senhor fez por mim eu não tenho nem como agradecer.
-Que é isso Glória, a senhora sabe que fiz de todo coração.
Putz! Tava se enrolando cada vez mais. Mas, na cabeça dele, agora não tinha volta, o melhor era tentar ser gentil e, no mínimo, não sujar a barra do capitão.
-Capitão não se fazem mais pessoas assim como o senhor, o senhor é uma alma boa, leal, honesto, um verdadeiro cavalheiro.
-E um verdadeiro brasileiro. Um patriota. –Proclamou o poeta.
-Que é isso amigos, vocês assim me deixam encabulado.
-Modesto, modesto também. Tá vendo Glória? Isso é que é.
Bom, agora não tinha mais jeito, o estrago tava feito. Mas na despedida ele ainda foi capaz de piorar as coisas mais um pouquinho.
-Poeta, Dona Glória, foi um enorme prazer revê-los, mas tenho que ir. Porém só mais uma coisinha: É que vocês estão sendo tão gentis comigo, assim tão elogiosos que eu fico até meio constrangido de falar, mas o fato é que eu não sou capitão.
O casal espantou-se, que coisa, que engano, que desagradável. E ele, tocando as pontas dos dedos no ombro disse:
-Não se assustem, é que fui promovido. Agora sou coronel.
quarta-feira, 28 de setembro de 2011
Titanic
Dos brindes às taças de campagne até as pás de carvão nas caldeiras quase todos morreram no Titanic. Assim se fez mais uma prova da igualdade dos homens e mulheres. Mas ninguém lembra disso. Na morte morremos iguais senhoras e senhores, por tanto então, tentemo-nos viver iguais até que venha o inevitável naufrágio geral.
terça-feira, 13 de setembro de 2011
Egolatria
Você se ama? Bom né a gente se amar?
E como é que fica aquela máxima do messias “Ama o teu próximo como a ti mesmo”? Hum? E aí? Fica difícil não é mesmo?
E como é que fica aquela máxima do messias “Ama o teu próximo como a ti mesmo”? Hum? E aí? Fica difícil não é mesmo?
Na prática a gente perambula pelo mundo é praticando o contrário. E pior: A gente vive doido é pra que todos os outros, esses tais de “próximos”, acabem amando a gente mais do que a gente ama a gente mesmo.
A técnica é mesquinha, fácil e comum a todos nós:
Primeiro a gente, como nos foi ensinado, acha que somos o que fazemos ou realizamos. Ou seja, adoramos nossos feitos e nunca nos cansamos de contar nossas incríveis façanhas mesmo para uma platéia nada interessada nisso. E aí é um tal de “aí eu fiz, aí eu disse, aí eu peguei, aí eu bati,aí eu bebi, aí eu comi (no caso masculino o “eu comi” é até a mais freqüente das façanhas) e por aí vai.
Vangloriemo-nos então, deve funcionar. Talvez algum crédulo de plantão escute e pense – Poxa que coisas incríveis. Você pode virar uma espécie de herói sabe?
Outra estratégia bem bacana é procurar sempre estar certo. Essa é fatal, mas exige lábia e competência. De saída esquece esse negócio de ser feliz, ou de estar em equilíbrio com o mundo, harmonia e tal, isso é coisa de quem não se ama. Seja lá qual for o assunto você tasca sua opinião na roda e não deixa ninguém discordar. Argumenta, enche a pessoa de exemplos, mostra conhecimento de causa e se nada disso funcionar, você fala sem parar por que, no final, você acaba vencendo nem que seja pelo cansaço. Além de vencer, que é o que você quer na realidade, você ainda ganha, de bônus, a estória desse embate pra somar-se ao item anterior: Façanhas Vitoriosas.
Outra boa é ser superior. Não caia nessa filosofia de Guru que fala que nobreza é procurar ser melhor do que o que você era. Esquece. O negócio é ser, ou parecer ser, melhor do que os outros são. Esse é o ponto da questão.
Se você encontrar alguém no caminho demonstrando ser super humilde, não esqueça, some os conselhos anteriores e trate de provar que você é muito, mais muito mais humilde do que essa pessoa.
Outro aspecto extraordinário do amar a si mesmo é o se ofender com qualquer coisa. Não sério, olha só: Se você procurar motivo pra se ofender vai achar um montão. É só olhar em volta, que no seu dia-a-dia, tem um monte de oportunidade. O peso do seu trabalho excessivo, a falta de reconhecimento, a amizade não retribuída, as pessoas que não seguem o seu exemplo, as injustiças que você, jamais, cometeria com ninguém... Motivo não falta é só procurar. Como brinde, nesse item, você ainda pode acabar se aborrecendo com isso, sofrendo até, quem sabe lá e isso lhe levará, automaticamente, ao nosso próximo passo: O Coitadinha de Mim.
Ah! Hum... Eu adoro isso. Orra, você é tão perfeito em suas epopéias, tão certo nas coisas que fala, tão, tão... Nossa você é tão “Tão” e ninguém reconhece isso? Ai-meu-Deus! Coi-ta-do. Gente? Eu tou com tanta pena de você que nem vou falar mais nada.
Mas não se esqueça: Ególatra que se preza, que se ama de verdade, mais que qualquer outra coisa no mundo, pode praticar o “tadinho”, mas nunca deve se esquecer dos aumentativos. Tou falando sério veja bem:
Significado de Aumentativo
adj.Que aumenta.
S.m. Gramática. Tipo de derivação vocabular dos substantivos, realizada por meio de sufixos, como ão, alhão, ázio, arra, que encerram idéia de aumento: facão, vagalhão, copázio, bocarra.
Tem que ter o carrão, o somzão, o vestidaço, o peitão, o amorzão, afinal, ego se alimenta de reputação gente. E é nisso que o ególatra deve se concentrar vinte e quatro horas por dia. Por que de nada vale o que você acha de você mesmo, o lance é o que os outros pensam de você.
Hey! (Em inglês, ta vendo?) Não vá perder tempo com formação de caráter, retidão ou até sensatez hein? Tou falando de EGO.
Bom, agora que já dei a receita, pratique. Tenta aulas práticas depois de tanta teoria, tenta luxúria, gula, avareza, ira, soberba, vaidade e a maravilhosa preguiça.
Se nada der certo, faz um blog e masturba seu ego com cada comentário elogioso. Quem sabe seu ego não cresce um pouquinho e vira um EGÂO.
quarta-feira, 31 de agosto de 2011
Reflexos?
He He He, engraçado, tava ali olhando no meu espelho e sem ter nem porque, levantei minha mão direita e acenei para o reflexo. No espelho, lá do outro lado, alguém igual a mim também acenou. Esse alguém parecia comigo, tinha meu corpo, minha cara e todo o resto da minha aparência. Era alguém tão parecido que eu podia jurar que era eu mesmo. Alguém realmente igual a mim. E ele acenava e sorria quando eu sorria, era, era... confiável eu até diria. Não, poxa, veja bem: Alguém assim tão igual, um quase você de tão parecido, imagina ai poxa. Você não iria se sentir a vontade? Assim, confortável? Sei lá. Eu me senti. Afinal o cara tava lá, nu como eu e me olhava nos olhos do mesmo jeito que eu o olhava.
Só poderia ser muito confiável. Era um eu lá. Nu e me olhando sem a menor cerimônia ou julgamento.
Olhei outra vez e por impulso, acenei outra vez.
Sabe, o cara lá do outro lado de quem eu tava falando? Pois bem, ele acenou também.
Igual a mim. Bom, dessa vez eu pude perceber um detalhe. Ele me acenava com a mão esquerda, enquanto eu usava a outra aqui do meu lado. Hum, sei não: Se até uma imagem quase perfeita de você mesmo, não age do mesmo jeito que você ou não age do jeito que você acha que essa outra pessoa deveria agir, imagine você longe de espelhos?
Não espere nada assim tão igual a você viu?
Quer igual? Tire uma fotografia, tire um retrato de você, como diziam nos meus tempos ( agora é Foto) . Ali as mãos direitas são direitas e as esquerdas... Bom as esquerdas ficam do outro lado.
Mas você não quer isso não é? Ou quer?
Só poderia ser muito confiável. Era um eu lá. Nu e me olhando sem a menor cerimônia ou julgamento.
Olhei outra vez e por impulso, acenei outra vez.
Sabe, o cara lá do outro lado de quem eu tava falando? Pois bem, ele acenou também.
Igual a mim. Bom, dessa vez eu pude perceber um detalhe. Ele me acenava com a mão esquerda, enquanto eu usava a outra aqui do meu lado. Hum, sei não: Se até uma imagem quase perfeita de você mesmo, não age do mesmo jeito que você ou não age do jeito que você acha que essa outra pessoa deveria agir, imagine você longe de espelhos?
Não espere nada assim tão igual a você viu?
Quer igual? Tire uma fotografia, tire um retrato de você, como diziam nos meus tempos ( agora é Foto) . Ali as mãos direitas são direitas e as esquerdas... Bom as esquerdas ficam do outro lado.
Mas você não quer isso não é? Ou quer?
domingo, 28 de agosto de 2011
Caminhar por falta de espaço
Na manhã seguinte ele se lançava ao mar. Não era só mais uma partida, era uma partida de tudo que conhecera como passado. Até então.
A jangada de toras cansadas rangia no bater das ondas como rangiam seus dentes a remoer a memória.
Ainda era como ela havia lhe dito:
–Não há espaço para meus sonhos aqui nessa praia José.
E fora assim que, na noite anterior, ela também partira. Batera a porta da cabana de taipa à beira mar. Pegara um velho lenço vermelho, amarrara no pescoço e caminhara em calma pela areia imaculada de pegadas da Caeira. Se fora. Partira em busca de um novo, que nem ao menos, ela mesma, podia imaginar como seria.
Ele, sozinho no mar, no silêncio da boca travada em sal e solidão, tratou de afogar a última imagem dela. Tratou de não lembrar, por mais que a lembrança fosse sua única companheira. Pensava e pedia ao mar que apagasse seu pensar nos momentos que tinha vivido ao lado dela, em todos os planos, nos seus próprios sonhos e num juntos que não havia mais. Queria que tudo se apagasse como fazem as ondas com a espuma.
Redes vazias e ventos contrários. Nem as bênçãos de Yemanjá caiam sobre os ombros queimados de sol do pescador e nem um minuto de paz lhe vinha. Lutou contra o oceano até o anoitecer e por fim, amarrado ao mastro tosco, dormiu.
No escuro da noite sem lua uma sereia lhe disse:
- Não há espaço para sua dor aqui nesse mar José.
E o mar virou.
O vento soprou forte, rasgando a vela de pena, enquanto José abandonava a rede libertando a jangada do mar. Os raios e trovões ensurdeceram a memória do pescador até que uma calma enorme tomou conta dele. Era ele e o escuro, o rugir e o ranger e o lembrar e o esquecer numa luta sem vencedores. Até que noite e mar o engoliram.
O vento soprou forte, rasgando a vela de pena, enquanto José abandonava a rede libertando a jangada do mar. Os raios e trovões ensurdeceram a memória do pescador até que uma calma enorme tomou conta dele. Era ele e o escuro, o rugir e o ranger e o lembrar e o esquecer numa luta sem vencedores. Até que noite e mar o engoliram.
Nessa época do ano as gaivotas faziam ninhos na ilha. Naquele momento havia uma centena voando e piando ao redor da Enseada da Caeira.
José acordou com a primeira marola da maré de enchente lhe lambendo a cara. Levantou a cabeça meio zonzo, areia colada no rosto e, de joelhos, viu a cabana de taipa nos olhos turvos. Uma casa vazia de tudo.
Ao redor, o vai e vem das ondas balançava destroços da jangada em meio à gritaria dos pássaros.
Sem jangada, sem planos, sem futuro. Sem Maria, sem o peixe e sem alegria José levantou-se e caminhou.
São conselhos ou tempestades que nos fazem caminhar? O não ter mais nada é também um começo: O começo de um novo caminhar.
José tossiu e vomitou água do mar. Ao tentar limpar a boca viu na mão um trapo molhado; vindo do nada que lhe restou, um velho lenço vermelho estava enrolando na sua mão. Esperança ou lembrança ninguém saberia.
José caminhou até a cabana, ateou fogo nas tralhas e caminhou pela Enseada da Caeira no Mar de Fora de Fernando de Noronha.
- Nem no mar nem naquela praia haveria espaço para tanta dor.
Melhor era caminhar adiante.
Sobre a areia, tinta pela cor do fogo, as ondas lamberam a praia até que última marola da enchente levou pro mar um velho lenço vermelho ali abandonado.
Ali, nem mais Maria e nem mais José.
sábado, 27 de agosto de 2011
Tenha coragem
Graças aos céus meus heróis tiveram a coragem de fugir de todas as batalhas. Se você ainda acha que o mundo é para ser enfrentado e não aproveitado fica aqui uma linha:
Fuja e viva idiota. Por que amanhã tem mais.
Fuja e viva idiota. Por que amanhã tem mais.
sexta-feira, 26 de agosto de 2011
Bobinha
Ai ele disse pra ela: “ Não querida, sexo anal não é sexo praticado uma vez ao ano.” #Bobinha
Por não querer a calma
Não me agarro a essa calma.
Me encanta a turbulência, a surpresa do imprevisto.
Aí o improviso me assalta.
Se espanta a malemolência, na destreza do corisco.
Que me venha então a vida aos coices.
E que não seja branda.
Me encanta a turbulência, a surpresa do imprevisto.
Aí o improviso me assalta.
Se espanta a malemolência, na destreza do corisco.
Que me venha então a vida aos coices.
E que não seja branda.
terça-feira, 16 de agosto de 2011
Pó-Pegá
Nois é do tipo safado, doido dos corno xonado temo solteiro largado pro pau pega
Nois arrebenta a portera vendemo toda boiada gastamo tudo em gelada pro pau pega
Quando nois chega chegando nois que vê o bicho pulando soltou nos temo garrando pro pau pega
No batidão arrojado nois dança bem agarrado, nois cerca di todo lado pra não escapa
Pó pega, pó morde, pó beijar, pó pega
Vou daqui vem de lá pó pega
Hoje a noite ta bom e o bailão vai bomba
Solta a batida que eu quero dança meu coração sertanejo alegrar
O som da viola não pode para, não pode para, não pode para
Gosto do embalo desse batidão
Marca o compasso do meu coração
Se a moça linda procura paixão
Pó pega tô na mão
Deus permita que ela não pegue por que, na melhor das hipóteses, o que ela pegar vai ser bem, bem pequenininho.
Nois arrebenta a portera vendemo toda boiada gastamo tudo em gelada pro pau pega
Quando nois chega chegando nois que vê o bicho pulando soltou nos temo garrando pro pau pega
No batidão arrojado nois dança bem agarrado, nois cerca di todo lado pra não escapa
Pó pega, pó morde, pó beijar, pó pega
Vou daqui vem de lá pó pega
Hoje a noite ta bom e o bailão vai bomba
Solta a batida que eu quero dança meu coração sertanejo alegrar
O som da viola não pode para, não pode para, não pode para
Gosto do embalo desse batidão
Marca o compasso do meu coração
Se a moça linda procura paixão
Pó pega tô na mão
Deus permita que ela não pegue por que, na melhor das hipóteses, o que ela pegar vai ser bem, bem pequenininho.
quinta-feira, 11 de agosto de 2011
Fidelis
Conheci uma moça que levava horas vigiando o amado a distância para ter certeza que este não a traía. Foram horas de amor perdidas, horas de carinhos desperdiçados, horas de afeto desprezadas enquanto a verdade era jogada fora.
Fidelidade é um pacto que se faz com os próprios sentimentos e não um compromisso assumido com alguém. Se você não for fiel a você mesmo, vai ser fiel a quem?
segunda-feira, 1 de agosto de 2011
Boa tentativa
Todos tentamos sempre construir um novo futuro enquanto a velha saudade ri, cinicamente, da cara da gente.
sexta-feira, 29 de julho de 2011
Vagabunda
A televisão é a arte mais vagabunda do mundo moderno.
Se o cliente pagar ela é capaz de fazer de tudo.
Se o cliente pagar ela é capaz de fazer de tudo.
Tão poucos
Em outubro de 2011 seremos 7 bilhões de pessoas nesse planeta.
E eu mal conheço uma dúzia dos que ainda valem a pena existir.
E eu mal conheço uma dúzia dos que ainda valem a pena existir.
terça-feira, 26 de julho de 2011
Espetáculo
Tentei tantas vezes matar um pernilongo entre as palmas da mão que pude até vê-lo sorrir agradecendo os aplausos.
Todo errado
Não é que eu não amei não. Eu amei sim e amei muito. Gostava de amar também. Na verdade eu amava amar sabe?
Só que hoje descubro que eu amava errado.
Só que hoje descubro que eu amava errado.
Pescaria
Ah o acreditar! Crer em alguém no escuro é como pescar em lagoa funda. Você acha que ali tem peixe, mas o máximo que consegue é uma queimadura de sol nas costas.
Fala mais alto
As vezes Deus sussurra no meu ouvido: “Calma, calma, as coisas vão melhorar”. Porra, se ele acreditasse nisso falava mais alto.
Tirano
Odeio minha própria tirania quando me pego me proibindo de ser eu mesmo, bem mesmo nas horas onde eu mais precisava ser eu.
segunda-feira, 25 de julho de 2011
Gratidão
Nunca cuspa mesmo no prato que comeu.
Pode lhe faltar o que comer amanhã
e só lhe restar a sua própria saliva.
Pode lhe faltar o que comer amanhã
e só lhe restar a sua própria saliva.
sexta-feira, 22 de julho de 2011
Preste atenção que Deus é foda
Deus me deu essa cara marcada, riscada em cicatrizes de espinhas, cravos, de protuberâncias disformes, quasímodas na sua maioria, para que eu fosse feliz. Para que, todos os dias, ao me olhar no espelho eu me sinta feliz.
Bom filho da puta Deus é, parece não?
Feliz em poder sorrir, andar com minhas pernas, cantar, ver, tocar um instrumento e compor, na lógica das poesias sem lógica mesmo mantendo a ciência de um intelecto normal. Feliz em ser “normal”, ser até um pouco igual aos que a todos julgam como são os belos, os perfeitos, os bem abençoados de cromossomos e DNAs, e, pior mais ainda ( por que isso é o que mais dói) os hereditariamente sortudos.
Poxa e eu deveria dar vivas por não ser obeso, zarolho, careca, catroca, maneta, gago, burro! Bom burro, se eu o fosse, não o saberia que o sou, mas...
Deus, esse canalha, perfeito demais, impõe obstáculos de imperfeição para que aqueles, e só mesmo aqueles que percebem suas artimanhas, possam crescer. Crescer, lindo, mas pouco prático. A gente queria mesmo é ter a voz do Sean Connery, o corpo da Sofia Loren e o sorriso do Brad Pitt.
Dizem isso nos credos, nas seitas, nas religiões (registre-se aqui que abomino a todas) mas assim dizendo, elas afirmam que no sofrer nós crescemos. Injustiça divina? Talvez.
O fato é que se você olha a minha cara e sente asco, se você sente repugnância ao ver um cara feio, narigudo, com sobrancelhas espessas demais, uma garota gorda te faz rir, uma feia lhe parece uma roubada e você não está na categoria dos mais sortudos, preste bem atenção: Deus pode parecer ser um filho da puta mas ele não fez isso à toa não, ah...não fez não. Preste atenção.
quarta-feira, 20 de julho de 2011
Assinar:
Postagens (Atom)




