Nota:

Minha foto
Menino besta cheio de sonhos aprisonado no corpo de um homem sóbrio e cheio de desejos.

Escolha a dose.

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

Cínico

Era cínico como um crocodilo.
Quando abria a boca para devorar suas vítimas ainda tinha a pachorra de derramar lágrimas.

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

Resta Um

   Um plano, um sonho, uma virtude, até mesmo o amor, no caso do amor próprio. Para que essas e outras tantas coisas aconteçam basta apenas um indivíduo.
   Mas, para a amizade, se precisam dois.
   Dois indivíduos e que os dois se precisem antes de mais nada.
  Se o outro não corresponde à isso então, talvez seja melhor parar de pensar em amizade e começar a considerar sua autoestima.
   Para isso basta só um: Você.

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

Antes de tudo forte

    Não fora por querência própria que Pompéia pegara aquela sétima barriga. Com o bucho às bocas de parir, veio-lhe a visagem antiga de Leôncio fungando-lhe no cangote, enquanto ela se esgoelava em vão, pois fora como de resto, a pulso, que o ajegado a abufelara às beiras do cacimbão no meio de um banho de asseio. Leôncio não valia o que o gato enterra. Vivia a bater sete freguesias sem dar ousadia ao abandono de Pompéia, que por sua feita, também não era mulher de botar canga ou cabresto em homem preferindo seu viver largado a ter um cabra fulero na barra da saia lhe pastorando. Desde que se amancebara com ele, o escroto já a tinha emprenhado seis vezes antes, sempre na curra; e em seis covas rasas ela já havia deitado, uma por uma, suas seis crias mortas.
    Sempre lhe pareceu, que assim como seus sonhos, nada que vinha de dentro dela vingava e um dia, a tudo se enterrava.
    Um vento quente, vindo do oiteiro, sacudiu os pés de planta, murchas em cacos e secou-lhe o choro grudado na cara enquanto ela dava fé do que se passava. Deu-se a bobônica. Deitada no chão de barro batido, com o fole do bucho estourado, Pompéia cubava o teto de paias velhas. Um fio fino de sol, na vertical do meio-dia, reluzia numa poça d'água entre suas pernas arreganhadas e emboladas na bainha de flores de chita, encharcadas pela água do ventre de açude pocado.
   Vieram as dores. Gemeu só. Ninguém pra ouvir. Como testemunhas daquele sofrer, só um par de alpercatas puídas e uma carne do sol, de chã-de-dentro, dependuradas junto às poucas panelas de fundo preto. De vivos por perto, só as mutucas zumbindo, barbeiros e calangos atentos por entre as frestas das paredes de taipa, que pouco faziam, parecendo só mangar do mal sucedido.
    Bamba e disleriada, agarrou-se na rede, de encerado de caminhão e arribou-se nos cambitos trêmulos escutando a latomia dos bacurins no chiqueiro, capando o gato com medo de um enorme barrão azogado. Ninguém pra acudir. Nem ao menos um canelau, filho de Deus, que tocando cabritas entre as palmas secas, pudesse lhe escutar os ais; enquanto o mesmo e conhecido, fio de sangue quente, corria-lhe, do priquito pelas pernas, feito biqueira.
   Amuletada na beirada do fogão de lenha, a barriguda arrastou-se até colar as pás rentes à parede. Deixou as costas relarem no barro até acocorar-se com os joelhos opostos. Cada pegada de ar era um suplício que fazia, seguido do bafo preso nos beiços como de quem se alivia a obrar.
    Foi o tempo de arrastar um balaio de roupa suja, fazer uma rodilha e apareceu-lhe do xibiu arregaçado, um cucuruto de cabeça molhado em sangues e gosmas. Nem olhou, cruzou os braços e espremeu o bucho como se um fora um furúnculo.
   Nesse exato momento o grito de um carcará riscou silêncio do azul misturando-se ao de Pompéia.
   Nessa hora, o tempo parou.

    No sertão tudo é lento. É sol, é pó, suor e solidão, na aridez estéril do sobreviver.
    Foi nessa lentidão abrasada que o tempo passou em silêncio, até que um choro esgoelado e faminto, acordou a parida do desmaio.
    No miolo do balaio, uma menina. A criaturinha ensebada, com moscas nos cantos dos olhos, costelas esticadas sob a pele frágil e punhos cerrados como quem desafia o destino, só sossegou quando encontrou a teta definhada da mãe.
   Agindo pelo instinto herdado das antepassadas Caiacós, Pompéia fez o praxe: Cortou o cordão do umbigo nos dentes, azuniu placenta e restos pela janela, onde os dois cachorros magros já arrudiavam na espera da bucha e arriou-se na cama de palha.
    A coisinha parida era inteira. Não era zambeta e nem parecia catroca. Não era zarolha e tinha os dedos todinhos, pois até dez, Pompéia contava certinho. Mamando com disposição de bezerra de couro branco a bichinha era coisa linda de se ver aos olhos marejados da mãe.
   Pompéia sorriu. Não lembrava mais de ter sorrido antes, ou até, se um dia sorrira, mas nessa outra hora, ela sorriu.
   — Tu vai vingá fiinha. — disse com esforço gemido pela boca falhada de dentes — Tu não vai se acabar aqui nesse nada, assim que nem eu ando me acabando. Tu vai crescer com esse leite minguado, depois no mingau de araruta e findar tirando força inté de palma seca, mas vai vingá. Minha Senhora do Rosário vai te fazê bunita e bem feitinha toda; e eu, eu vou te livrar da rola do teu pai quando tu beirar os quinze ano. Daí, com fé na Virgem, tu vira a rapariga mais afeiçoada de Caicó pronta prum coroné de posse te tomá no gosto. Aí tu inrrica e vem me buscá.
    Pompéia desejou assim, com todo o coração, um futuro melhor para sua filha; para selar esse pacto decidiu:
   — E tu fiinha, vai se chamá de Espererança.

Estratégica mente

As estratégias que traço são perfeitas no papel.
Na prática?
Bom, na prática, quase sempre,
elas não passam de brincadeira de papel.

Desculpe, foi engano


-Eu? Eu tava só querendo enganar a mim mesmo.
E você? Anda querendo enganar a quem?

quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

13

— 12 problemas bucais? Na minha boca não.
— 12 não querida, 13.
— 13?
— É 13, além dos 12 problemas, você ainda fala demais.



.

Na moral

Recorrer à moral é sempre a melhor forma que a gente encontra para punir aqueles de quem não gostamos.


.

Aff

Normalmente os que se dizem prudentes e cautelosos são no fundo um bando de conformistas.
Nunca arriscar, nunca mudar, nunca refazer, nunca se atirar.
O apenas aceitar, invariavelmente, leva ao nada.
Que morram de tédio então.

Dois errados

No fundo os dois estão errados:
O que vive suspeitando de tudo e o que confia em tudo de peito aberto.

Um dia

Costumava falar assim: É, um dia as coisas acabam acontecendo.
Até que percebi, que quando eu não fazia nada, as coisas não aconteciam nunca.

Fitness

Se tem uma ginástica que faz bem é quando eu me curvo e ajudo alguém a levantar.

Mudança de hábito

A gente vai criando hábitos e quando é um dia percebe que são os hábitos que estão criando a gente.

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

É de matar

   “Vou sair pra passear, vou deixar pelo caminho brinquedinhos de matar” Acreditem, acordei hoje seis e meia da manhã ouvido essa frase. Quer pior? Era um verso de uma música que estava sendo cantada por um coro de rapazes, que corriam pela rua, em frente ao meu prédio.
   Não, mas espera aí que tem mais: Os jovens, vestindo shorts curtinhos e camisetas de malha sem mangas, tênis Conga e meias brancas, como se tivessem sido congelados nos anos 70, eram valorosos membros do nosso glorioso exército brasileiro.
   Bem em frente à minha varanda mudaram a cantiga que marca a cadência da ginástica forçada: “Se for inimigo cê já sabe como é, mata velho ou menino, mata homem e mulher”.
Parei pra pensar.
   O ministério da Educação tem 41 bilhões de reais de orçamento enquanto as “Força Armadas” recebem 54 bilhões. Mais de 90% desses 54 bilhões é gasto só com a folha de pagamento, de ativos e inativos, onde incluem-se viúvas e filhas que nem casar se casam para não perderem o benefício. Com o resto da grana acho que eles compram comida e tinta branca para pintar meio fio de quartel, que aliás, pense numa coisa bem cuidada é quartel.
   Tá bom, tá bom. Eu sei que tem muita gente boa nas forças armadas e tal, mas bem que a gente podia botar eles para apagar incêndio, prender bandido e socorrer acidentados ao invés de levar eles para passear e deixar pelo caminho “brinquedinhos de matar”.

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

2+2 = 5

   O certo era não pensar, era mudar de assunto dentro da cabeça, calar o diálogo interno e abrir uma janela diferente no pensamento. Mas não.
   Ficou foi sentada na varanda, jogada numa cadeira de plástico, pensando o mesmo pensamento o dia todo.
   -Ele não vai ligar.
Na verdade, nem certeza ela tinha, se já estava bêbada ou não, quando se despediram na noite anterior e meio que “combinaram” o que fariam no dia seguinte.
   -Ele disse que iria ligar pra gente se ver.
Será que fora apenas um “Olha, a gente se fala, né?” ou até um “Vamos se falar amanhã” ? O que, necessariamente, não é a mesma coisa que um “EU TE LIGO AMANHà DE MANHÔ.
   -Eu preparei tudo aqui pra ele e esse escroto nem telefonar, telefona.
   Foi pegando pilha. À noitinha ele mandou uma mensagem no celular, dizia: Oi baby tdo bacana? q ta fazendo?
   - Baby um caralho! Cachorro! – pensou ela - Eu aqui sem fazer porra nenhuma o dia todo, esperando esse viado me ligar, e ele manda mensagem com essa cara limpa.
   E ele, aí, sem a resposta da mensagem, ligou. Ligou e ligou e ligou. Ela? Não atendeu a nenhuma chamada dele, já estava magoada demais para perdoa-lo. Bom, magoada e errada e sem razão e sem motivo e sem ter nem porque. Mas na cabeça dela tava.


E estava por que ela queria o que não tinha. Magoou-se sozinha, imaginando o ele estava fazendo, sem ela, o dia todo. Torturou-se voluntariamente, repetindo-se os ciúmes, sentira-se traída e abandonada. Desimportante, desconsiderada.
   Ele? Depois de desistir de ligar, ele passou a noite toda acordado pensando e pensando:
   - Que garota filha-da-puta, falou que ia me ligar de manhã, não ligou, aí eu, de otário, ainda mando uma mensagem linda pra ela e ela nem me atender a porra do telefone ela atende. Nunca mais eu ligo pra ela.

terça-feira, 27 de dezembro de 2011

Bons negócios


Investir bem não é comprar boas ações mas sim comete-las.

Só na nata

Se a gente soubesse viver apenas na superfície do viver e não tivesse essa mania estúpida de se aprofundar nas coisas e em tudo que faz, talvez, não se doesse tanto.
.

SETUP

Ando me tornando óbvio, fácil demais de entender e conduzir.
Preciso urgentemente encontrar um jeito de trocar minhas senhas.

Ardil

   Se para ganhar atenção, ser ouvido, ser valorizado; se para se sentir prestigiado, útil e agradável, se para ganhar um carinho, um mimo ou um presente, até mesmo das pessoas que mais te amam, você precisa usar de técnicas, estratégias ou subterfúgios, das duas uma: Ou você realmente não o merece ou não sabe dar o real valor que essas coisas têm.
.

Errata

   Às vezes construímos grandes sonhos em cima de grandes pessoas.
Com o passar do tempo, descobrimos que grandes, eram apenas os sonhos e as pessoas pequenas demais para realizá-los.

domingo, 18 de dezembro de 2011

Vampiro da alegria

Em seus momentos de tristeza ele catava alegrias alheias. Discretamente as roubava à distância, sem mesmo ele, o ladrão, perceber que o fazia.
Roubava o sorriso de um pai que ensina o filho a soltar pipas. Se apropriava do beijo displicente, dado na boca, pelos namorados. Colhia a conversa, divertida e sem compromisso, da família reunida no café da manhã. Furtava o carinho da netinha dedicado às veias cansadas na mão do avô. Raptava o encanto das moças, a provar sapatos novos nas lojas da cidade. Surrupiava o abraço contemplativo do casal diante da reforma da casa concluída.
Quando encontrava a tristeza, era ele próprio o patrono da alegria, pois agindo assim, alimentaria a si mesmo.
Seguiria saqueando a alegria dos outros, em outros mundos que não eram seus, até perceber que a felicidade só é plena, quando você também faz parte daquele momento e aquele momento, faz parte de você.

“Solidão não é chorar sozinho.
Solidão é não ter com quem sorrir.”

Wave

E lá vem mais uma dessas horas repletas de memórias. É como uma onda enorme, daquelas de arrancar o biquíni, que a gente fica sem ação vendo ela chegar. E o diabo é que, no caso da memória, a gente não tem praia pra onde correr. Não tem lugar seguro. A onda vem e vai arrancar seus pés da areia, te embolar, te virar de cabeça pra baixo e te encher a boca de areia. Então não tente enfrentar que vai ser pior.
A única saída e mergulhar fundo. Bem fundo.
Senta, abre uma garrafa, acende um cigarro e lembra. Deixa a lembrança te preencher por que não tem jeito mesmo.
Aí, só depois de sorrir ou chorar, nada pra superfície e tenta tomar ar.
Pronto passou.
Eu vou passar também e você, bom, você continua me vindo em ondas como essa. Mas vai passar também.


quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

Com certeza

   Comprovar uma traição, ao contrário do esperado, deve provocar conforto ao traído e não a dor. A certeza, é na verdade, o refrigério da alma.
   Também deve-se ter um certo alívio, um poder respirar melhor, quando a gente tem provas de que alguém é realmente um canalha.
   Até a comprovação, canalhas e traidores gozam da complacência de nossas dúvidas.
   Que venham as certezas então.

Pense bem

Não é só por que o mundo não percebe suas virtudes que você é obrigado a mostrar apenas os seus defeitos.

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

Bom de boca

   Tenho pena de pessoas, que assim como eu,
não sabem entender olhares.
   Seria muito melhor se olho tivesse boca e falasse logo.
  Taí! Já com bocas eu me dou melhor, elas falam, mordem ou beijam, sorriem e, o que muito legal, sabem fazer caretas.
  Viu? Você fez uma careta com a boca aí, não foi? Foi? Eu entendi.

sábado, 3 de dezembro de 2011

Fastio

   Quando o amante está distante aguça-se o viço, aquenta-se o desejar. O hábito cotidiano do amar provoca um fastio, igual ao de quem dorme às tardes de domingo depois de uma feijoada.

Somos

Essa coisa de praticar o bem apenas por temer o castigo divino, sabendo que se o fizermos teremos a recompensa na vida eterna, prova o quanto cínicos e canalhas somos nós os humanos.

TPM

Sensível que chorava só de assistir a comercial de Natal do Bradesco. Nostálgica que remoía saudades da colega de escola, cuja que odiava na segunda série. Efêmera na cama, sem nem paladar para apreciar o cheio do velho lençol de algodão. Cáustica no arengar com a vida alheia. Dramática. Inacessível aos homens como quando em tempos onde contraiu catapora. E um ódio mortal da humanidade, a qual imaginava espreitando-a pela janela entreaberta.
Findo o fluxo de Estrógeno e Progesterona, a vida seguiria em paz.

sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

Pra quem entende de caixinhas

   E havia aquela menina que amava caixinhas. Não podia ver uma caixa bonitinha que logo a tomava para sua coleção.
   Havia caixas de todos os tipos: de madeira trabalhadas à mão, de papelão decoradas com fitinhas, caixinhas de vidro, bem delicadas, caixas antigas e herdadas, algumas bem roubadas de outras colecionadoras de caixas e até certas caixas para presentes ela guardava para si. E assim vivia e era muito feliz com suas caixas mas, morria de medo que alguém as roubasse.
   Um dia, de tanto medo de perder suas preciosas caixinhas, ela trancou-se no seu quarto sem querer nem ver ninguém. E ficou lá sentadinha, ela e suas caixinhas, até perceber que o quarto era também uma caixa.
   – Poxa! – pensou – Eu e minhas caixinhas, estamos dentro de uma caixa   enorme.
   E foi aí que ela parou, levantou, pensou e pensou, olhou para suas caixas e começou a abrir todas elas. Desolada, ela percebeu que não havia nada dentro delas: Todas as caixinhas e também ela, a menina, estavam vazias.
   Dizem que hoje ela mudou de ideia e passou a colecionar amigos, cheios de coisas para dividir com ela. E ela, tem o peito cheio de alegria. 



quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

Em tempo

    Cultivar inimigos é uma arte muito simples na verdade, coisa que qualquer um consegue: É só imaginar ou inventar que alguém é seu inimigo, atribui-lhe os piores pensamentos contra você, manter a pessoa distante e evitar o proscrito pelo resto da sua vida. É fácil e você pode ter um monte deles.
    Com a amizade a coisa fica mais difícil, não é pra qualquer amador a arte de fazer amigos. Não mesmo: Primeiro necessita de muita prática. Ei! Não entenda que necessita de experiência, não é isso, estou falando de prática no sentido de praticar a amizade. Vou explicar melhor: Cativar. Pronto é essa a palavra. Amizade se cativa, se cultiva, se constrói. É coisa que a gente tem de fazer no dia a dia. E não me falem dessa história, que tem amigos que nem se falam e nem se veem, mais ainda continuam amigos como eram. Mentira. A gente quando não alimenta a amizade ela morre.
    Sou do tipo “grato por ter amigos”, poucos, mas os que tenho cativo para não perde-los amanhã.
    A amizade põe olhos no futuro.

“O que uma verdadeira amizade pode nos oferecer de melhor, depois de tudo, é um grande amor; e, de pior, a saudade."